A queda nos níveis de testosterona, tradicionalmente associada ao envelhecimento masculino, vem sendo cada vez mais observada em homens jovens, alerta o médico George Mantese
Divulgação Dr. George Mantese: a queda de testosterona em jovens não pode ser negligenciada.

A queda nos níveis de testosterona, tradicionalmente associada ao envelhecimento masculino, vem sendo cada vez mais observada em homens jovens, com idade até 30 anos. Esse fenômeno desperta preocupações médicas e sociais, pois a testosterona exerce papel central não apenas na função sexual, mas também na saúde metabólica, óssea, cognitiva e emocional.

Segundo pesquisas, as principais causas da queda dos níveis de testosterona entre o público jovem até 30 anos estão associadas a obesidade, metabolismo, hormônios, estilo de vida, dieta, sono, perda de peso e recuperação hormonal.

“Quando um jovem apresenta níveis baixos de testosterona, o sinal de alerta deve ser imediato. Muitas vezes não se trata de um problema isolado, mas do reflexo de um conjunto de fatores como obesidade, sedentarismo, má alimentação e até mesmo doenças metabólicas já instaladas”, explica George Mantese, médico de família e comunidade, mestre em Epidemiologia, doutorando em Educação e Saúde pela USP e especialista em saúde masculina e longevidade.

Ele conta que estudos clínicos têm demonstrado que a obesidade está fortemente associada a menores níveis de testosterona. O aumento da gordura visceral eleva a atividade da aromatase, enzima responsável pela conversão de testosterona em estrógeno, além de reduzir os níveis de SHBG (sex hormone-binding globulin), diminuindo assim a testosterona circulante

Essa relação é particularmente preocupante em jovens adultos, já que a “obesidade vem crescendo de forma epidêmica nessa faixa etária, contribuindo para um cenário de hipogonadismo funcional”, alerta Mantese.

Outro fator para o problema, diz o médico, é qualidade da dieta. Uma meta-análise apontou que dietas com baixo teor de gordura podem reduzir significativamente os níveis de testosterona total e livre em homens, principalmente quando associadas à perda de peso abrupta.

“O sedentarismo e a privação do sono são igualmente reconhecidos como fatores de risco para a disfunção hormonal”, alerta Mantese. Seundo ele, a testosterona apresenta um ritmo circadiano, com maior produção durante o sono REM e pico nas primeiras horas da manhã. Estudos demonstram que a restrição de sono reduz significativamente os níveis hormonais já após uma semana de privação parcial, mesmo em homens jovens e saudáveis.

“O jovem de hoje enfrenta um tripé perigoso: má alimentação, sedentarismo e estresse crônico. Esses fatores não apenas reduzem a testosterona, mas aceleram um processo de envelhecimento precoce. É por isso que defendemos a saúde masculina preventiva, antes mesmo da necessidade de reposição hormonal”, comenta George Mantese.

Mantese diz que a boa notícia é que a perda de peso significativa, seja por meios comportamentais ou farmacológicos, pode restaurar níveis normais de testosterona. Estudos longitudinais mostram que a normalização hormonal ocorre em até 77% dos casos de obesos que reduzem seu peso corporal de forma consistente.

A queda de testosterona em jovens não pode ser negligenciada. Trata-se de um marcador clínico que exige investigação abrangente e manejo individualizado. Mais do que reposição hormonal, a prioridade deve ser identificar e corrigir fatores reversíveis como obesidade, sedentarismo e disfunções metabólicas.

“Nossa missão é mostrar que saúde masculina não começa na reposição, mas sim na prevenção e no cuidado integral. O olhar atento para os jovens é fundamental para que possamos garantir qualidade de vida e longevidade saudável”, conclui Mantese.

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